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Em 2026, o GINA reorganizou o atendimento agudo em fluxos separados por cenário e gravidade. A mudança mais útil não é uma nova “receita”, mas uma sequência mais disciplinada: reconhecer gravidade pela pior característica, tratar sem atraso, reavaliar a resposta antes de repetir automaticamente e planejar a prevenção da próxima crise.
Escopo deste artigo: adultos e adolescentes atendidos na atenção primária, pronto atendimento ou emergência. Crianças exigem avaliação pediátrica específica e, até os 17 anos, o GINA recomenda um escore clínico validado de gravidade.
O essencial em 2026
Quatro ajustes merecem mudar o comportamento à beira-leito:
Quatro graus de apresentação
Leve, moderada, grave e ameaçadora à vida aparecem com critérios padronizados nos novos fluxos.
Menos automatismo com SABA
As doses iniciais ficaram mais conservadoras e a resposta deve ser checada antes de novas administrações.
Oxigênio mais seletivo
Em geral, suplementar quando a saturação em ar ambiente estiver abaixo de 92% e titular para 92–95%.
CI-formoterol entra no fluxo leve
Passa a ser uma alternativa ao SABA na apresentação leve, quando apropriado e disponível.
O motivo para reduzir o uso reflexo de SABA é clínico: taquicardia, tremor, hipocalemia e acidose láctica podem surgir com doses altas. A hiperventilação compensatória pode ser confundida com broncoespasmo persistente e alimentar um ciclo de novas doses.
DR.GETULIO OS
Avaliação e gravidade: use a pior característica
A avaliação começa ao mesmo tempo que o tratamento. Observe fala, posição, nível de consciência, frequência respiratória, musculatura acessória, entrada de ar, sibilância, frequência cardíaca, saturação e, se possível, PFE ou VEF₁. Procure também anafilaxia, pneumonia, pneumotórax, insuficiência cardíaca, tromboembolismo pulmonar, corpo estranho ou obstrução laríngea.
| Apresentação | Pistas clínicas | Direção inicial |
|---|---|---|
| Leve | Fala preservada, desconforto discreto, sem sinais de falência respiratória. | Broncodilatador inalatório, observar resposta e reavaliar antes de repetir. |
| Moderada | Dispneia mais evidente, taquipneia, limitação funcional; piora objetiva do fluxo. | Tratamento repetido e monitorado; considerar anticolinérgico e corticoide sistêmico. |
| Grave | Fala entrecortada, postura inclinada, agitação, musculatura acessória, SpO₂ baixa ou PFE/VEF₁ muito reduzido. | Emergência, tratamento simultâneo, monitorização estreita e avaliação de suporte ventilatório. |
| Ameaçadora à vida | Sonolência, confusão, exaustão, tórax silencioso, deterioração gasométrica. | Equipe experiente imediatamente; preparar manejo avançado da via aérea. |
Alteração do nível de consciência, silêncio auscultatório, exaustão ou instabilidade tornam a apresentação ameaçadora à vida, mesmo sem todas as outras medidas disponíveis.
Se houver sinais de anafilaxia junto com a asma, a adrenalina deve vir primeiro; depois, o broncodilatador inalatório. Radiografia de tórax e gasometria arterial não são exames de rotina. Reserve-os para dúvida diagnóstica, suspeita de complicação, ausência de resposta ou deterioração.
Conduta na primeira hora
O tratamento é paralelo, não uma fila de etapas. Ajuste ao grau de apresentação e ao tratamento de base do paciente.
Broncodilatador inalatório
Na apresentação leve, o GINA exemplifica salbutamol 4 jatos, um por vez, com pMDI e espaçador, repetindo apenas se necessário durante a primeira hora. Na moderada ou grave, titule frequência e dose à resposta e ao protocolo local. Agite o pMDI imediatamente antes de cada jato.
Oxigênio controlado
Considere quando SpO₂ em ar ambiente estiver abaixo de 92%. Se administrado, titule para 92–95%; evite oxigênio indiscriminado em alta concentração. Ajuste a meta em altitude ou diante de condições específicas.
Ipratrópio quando a crise é moderada ou grave
A associação ao SABA na emergência reduz internações nesses grupos. O benefício é inicial; não há justificativa para mantê-lo automaticamente após a fase aguda.
Corticoide sistêmico cedo quando indicado
Use nas exacerbações moderadas e graves e quando a resposta inicial não se sustenta. Em adultos, a referência do GINA é prednisona/prednisolona 40–50 mg/dia por 5–7 dias. A via oral é preferida quando possível.
Em exacerbação leve, CI-formoterol pode substituir o SABA como alívio, especialmente quando isso facilita iniciar antes da alta uma estratégia anti-inflamatória de alívio ou MART. Confirme apresentação, dose, dispositivo, disponibilidade e indicação no contexto local.
Sulfato de magnésio intravenoso não é rotina. Pode ser considerado na apresentação grave ou ameaçadora à vida que permanece hipoxêmica ou responde mal ao tratamento inicial. Antibiótico também não é rotineiro: use apenas quando houver evidência de infecção bacteriana.
Reavaliação e destino
Reavalie cedo após a primeira administração na crise leve e formalmente ao redor de uma hora nos demais casos — ou antes, se houver piora. Compare sintomas, fala, trabalho respiratório, ausculta, saturação e função pulmonar quando disponível.
Pense em alta quando a melhora se sustenta
- Sintomas e sinais claramente melhores.
- Sem necessidade de broncodilatador repetido.
- PFE em recuperação, em geral acima de 60–80% do melhor pessoal ou previsto.
- Oxigenação adequada em ar ambiente e suporte domiciliar confiável.
Escalone o nível de cuidado
- Persistência ou piora de esforço respiratório.
- Hipoxemia, queda de fluxo ou exaustão.
- Necessidade crescente de broncodilatador.
- Dúvida diagnóstica ou complicação associada.
Em deterioração, envolva precocemente profissionais com experiência em via aérea. A ventilação não invasiva pode ser testada apenas em ambiente monitorizado e por equipe experiente; sedativos devem ser evitados. Intubação em asma grave é um procedimento de alto risco e não deve ser atrasada quando indicada.
Alta sem perder a oportunidade
Uma exacerbação é uma falha de controle e um marcador de risco futuro. A alta não termina quando a ausculta melhora.
- 01Prescreva tratamento contendo corticoide inalatório.
Evite deixar o paciente apenas com SABA. Para adultos e adolescentes, priorize uma estratégia com alívio anti-inflamatório quando disponível e apropriada.
- 02Revise a técnica na prática.
Peça que o paciente demonstre o uso do dispositivo e corrija cada etapa; orientação apenas verbal costuma ser insuficiente.
- 03Investigue por que a crise aconteceu.
Adesão, exposição a fumaça, alérgenos, infecção viral, comorbidades, uso excessivo de alívio e acesso ao controlador mudam o risco.
- 04Entregue um plano de ação escrito.
Inclua como reconhecer piora, ajustar inaladores, quando considerar corticoide oral e quando buscar atendimento imediatamente.
- 05Garanta seguimento próximo.
Reavalie em 2–7 dias; antecipe quando o risco, a gravidade ou o contexto social indicarem. Encaminhe após internação em UTI ou exacerbações recorrentes.
Armadilhas práticas
A taquipneia pode refletir acidose láctica por beta₂-agonista, não apenas broncoespasmo.
Entrada de ar muito reduzida e tórax silencioso são sinais de extrema gravidade.
O alvo é corrigir hipoxemia de forma titulada, e não buscar saturação máxima em todos.
O alívio isolado não trata a inflamação nem reduz adequadamente o risco da próxima exacerbação.
Quando os dois quadros coexistem, adrenalina primeiro; broncodilatador em seguida.
Comorbidades, idade, gestação, tratamento prévio e resposta dinâmica exigem julgamento clínico.
Fontes e limites desta síntese
Este texto foi redigido de forma original a partir do documento primário e de materiais institucionais do GINA. Não reproduz tabelas, fluxogramas ou ilustrações da diretriz. Como o GINA é atualizado regularmente e diferenças regulatórias e de disponibilidade existem entre países, confirme o documento vigente e o protocolo institucional antes de aplicar doses ou estratégias.
- Global Initiative for Asthma. Global Strategy for Asthma Management and Prevention — 2026 Update. Seção 9: manejo das exacerbações.
- Global Initiative for Asthma. What’s new in GINA 2026. Síntese institucional das mudanças.
- Global Initiative for Asthma. World Asthma Day 2026. Acesso a inaladores anti-inflamatórios.
Esta versão está pronta para revisão técnica, mas permanece marcada como pré-publicação até validação clínica independente do protocolo, especialmente doses, critérios de gravidade e condições de alta.

